Setembro Vermelho: Como Cuidar do Coração do seu Pet

Publicado: 01 de Setembro de 2025 – Tempo médio de Leitura: 4-8 minutos – Por Clube Agropets

Indíce

Você já parou para pensar na saúde do coração do seu amigo de quatro patas? Assim como nós, os pets podem ter problemas cardíacos, e é por isso que existe o Setembro Vermelho, uma campanha internacional dedicada a conscientizar tutores sobre a importância de cuidar do coração dos nossos animais.

Inspirada na campanha voltada para os seres humanos, a iniciativa foi adaptada para o universo pet para destacar a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, reforçando que o cuidado com o sistema cardiovascular é fundamental para a longevidade, o bem-estar e a qualidade de vida de cães e gatos. A maioria das cardiopatias se inicia de forma silenciosa e só se manifesta nas fases mais avançadas, quando o prognóstico pode ser menos favorável. Contar com a orientação de especialistas, como médicos-veterinários e cardiologistas veterinários diplomados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia Veterinária (SBCV), é essencial para identificar as primeiras alterações.


Por que o coração do pet adoece e quais são os riscos?

O coração funciona como uma bomba muscular responsável por enviar sangue rico em oxigênio e nutrientes para todo o corpo. Ele pode ser afetado por doenças congênitas (presentes desde o nascimento), doenças adquiridas (desenvolvidas ao longo da vida) e até mesmo por infecções ou parasitoses. Doenças cardíacas em cães e gatos podem se desenvolver por diversos motivos, desde genética e idade (com risco maior após os 7 anos em cães e 10 anos em gatos) até sedentarismo, obesidade, dieta inadequada rica em sódio ou gorduras, além de doenças associadas como problemas renais, endócrinos (como o hipertireoidismo felino) e infecções dentárias decorrentes da falta de saúde bucal, que permitem a circulação de bactérias pela corrente sanguínea. 

Ao contrário das pessoas, os pets raramente sofrem infarto agudo do miocárdio, sendo esse um evento muito raro; contudo, a insuficiência cardíaca congestiva (ICC) e a morte súbita provocada por alterações cardíacas são riscos reais. O mais importante é saber que a prevenção de doenças cardíacas em pets e o diagnóstico precoce são os maiores aliados para garantir uma vida longa e saudável a eles.

Doenças Cardíacas Comuns em Cães e Gatos

As doenças do coração em pets podem afetar cães e gatos de formas diferentes. Enquanto alguns problemas causam sintomas claros, outros são silenciosos, o que reforça a necessidade de estar sempre atento.

  • Em cachorros:  Cães de pequeno porte são mais propensos à insuficiência ou doença mixomatosa da valva mitral (endocardiose mitral), na qual a válvula se degenera provocando refluxo de sangue e sobrecarga cardíaca, o que pode causar tosse e dificuldade para respirar.

    Já os de grande porte podem sofrer de cardiomiopatia dilatada (CMD), na qual o coração perde a força de contração e aumenta de tamanho, causando fraqueza e desmaios.

    A dirofilariose, ou “verme do coração”, é uma doença parasitária grave transmitida por picadas de mosquitos, especialmente em áreas endêmicas, que causa tosse e respiração acelerada.

  • Em gatos: A Cardiomiopatia Hipertrófica (CMH) é a mais comum e principal cardiopatia felina, na qual o músculo cardíaco engrossa, dificultando o bombeamento. O diagnóstico é difícil porque os gatos podem não apresentar sintomas por muito tempo, permanecendo assintomáticos até fases avançadas. Embora todas as raças e idades estejam vulneráveis, machos de meia-idade são os mais afetados.

    Outras condições incluem a cardiomiopatia restritiva (associada à fibrose do miocárdio), dilatada, arritmogênica e não classificadas, além do tromboembolismo arterial felino, no qual coágulos bloqueiam o fluxo sanguíneo (frequentemente nas patas traseiras), causando dor súbita e paralisia.

Outras doenças incluem a insuficiência cardíaca congestiva, que ocorre quando a alteração na estrutura ou função cardíaca impede o coração de bombear o sangue corretamente e leva ao acúmulo de fluido nos pulmões e outros tecidos, além da estenose aórtica e das arritmias (primárias ou secundárias), que alteram o ritmo cardíaco.

Quais Raças São Mais Afetadas?

Assim como nos humanos, doenças cardíacas em cães e gatos são comuns, e algumas raças são mais propensas a elas. A predisposição genética e o porte do animal influenciam diretamente nos tipos de doenças que podem se manifestar.

Cães de pequeno porte: Raças como Cavalier King Charles Spaniel, Dachshund, Shih Tzu, Pinscher, Yorkshire Terrier, Maltês e Poodle têm maior predisposição a doenças valvares mixomatosas (endocardiose mitral). Essas doenças afetam as válvulas do coração e podem levar à insuficiência cardíaca congestiva.

Cães de grande porte:  Raças como Dobermann, Boxer, Dogue Alemão, São Bernardo, Fila Brasileiro, Golden Retriever, Rottweiler e Pastor Alemão têm maior predisposição à cardiomiopatia dilatada (CMD). Esta doença dificulta o bombeamento de sangue, podendo levar à morte súbita, que é um evento com causas diferentes do infarto.

Outras raças como Labrador Retriever, Schnauzer, Cocker Spaniel (que pode ser afetado por CMD), Pug, Buldogue e Pinscher também estão na lista de animais que demandam mais atenção em relação à saúde do coração.

A Conexão entre Focinho Curto e Doenças Cardíacas

Apesar de não haver uma relação direta entre o focinho curto (braquicefalia) e problemas cardíacos primários, animais braquicefálicos como Pug e Buldogue têm maior tendência a desenvolver doenças respiratórias. Sinais que muitos tutores acham normais ou bonitos, como o ronco ou aquela respiração “gostosa” ao dormir, na verdade podem ser um grande sinal de avaria respiratória e cardiológica. Esses problemas pulmonares podem sobrecarregar o coração e agravar quadros de hipertensão pulmonar, aumentando o risco de complicações cardiovasculares.

Predisposição em Gatos

Os gatos também têm problemas cardíacos, com destaque para a cardiomiopatia hipertrófica felina (CMH). Raças como Maine Coon, Ragdoll e Persa são as mais afetadas devido à predisposição genética. É fundamental a atenção redobrada aos felinos, pois os sinais muitas vezes são inespecíficos; eles tendem a ser mais “silenciosos” e escondem os sintomas, isolando-se ou escondendo-se em lugares incomuns na casa ou pátio, o que torna o check-up anual ainda mais crucial para um diagnóstico precoce.

Sintomas de Doenças Cardíacas em Pets: O Que Observar

Ficar de olho nas mudanças de comportamento do seu pet é fundamental. Leve-o ao veterinário imediatamente se notar sinais como:

  • Tosse persistente ou seca (principalmente à noite ou após exercícios em cães);
  • Fadiga, cansaço fácil, indisposição e intolerância ao exercício;
  • Dificuldade respiratória, falta de ar, respiração acelerada, pesada, forçada ou ofegante (mesmo em repouso);
  • Desmaios (síncope), tonturas ou fraqueza;
  • Aumento abdominal (ascite) ou inchaço nos membros;
  • Perda de peso, falta de apetite e apatia;
  • Língua, gengivas e mucosas com cor arroxeada ou azulada;
  • Mudanças comportamentais (como se recusar a interagir ou se esconder) e, em casos felinos graves, paralisia súbita dos membros posteriores.

Como Prevenir e Cuidar do Coração do seu Pet

O diagnóstico precoce e a prevenção de problemas cardíacos em cachorros e gatos são a chave para o sucesso.

  1. Visitas Regulares ao Veterinário: : Leve seu pet para check-ups de rotina — pelo menos uma vez ao ano para animais jovens e duas vezes ao ano para idosos ou raças predispostas. A primeira etapa é o exame clínico e a auscultação cardíaca para detectar sopros ou arritmias.

    O veterinário poderá solicitar exames complementares como a ecocardiografia (padrão-ouro para avaliação estrutural e funcional), eletrocardiograma (ECG para avaliar o ritmo), radiografia de tórax (avaliação de congestão pulmonar e aumento do coração/cardiomegalia), aferição da pressão arterial, testes para dirofilariose e exames laboratoriais (função renal, eletrólitos e biomarcadores como NT-proBNP e troponina I.
  2. Alimentação de Qualidade: Incentive seu pet a se exercitar. O sedentarismo é um fator de risco importante. A prática regular ajuda a manter o peso saudável e melhora o condicionamento cardiovascular, mas deve ser sempre adaptada à idade e condição do pet. Em animais já diagnosticados ou com suspeita de cardiopatia, o esforço excessivo deve ser evitado e os exercícios devem ser monitorados e adaptados pelo veterinário.

  3. Atividade Física: Incentive seu pet a se exercitar. O sedentarismo é um fator de risco importante para problemas no coração.

  4. Cuidados com Saúde Dental e Vacinação: A escovação regular dos dentes e check-ups odontológicos evitam infecções bucais que lançam bactérias na corrente sanguínea. Além disso, manter a vacinação e a vermifugação em dia previne doenças transmissíveis e parasitoses como a dirofilariose.

Sinais em Filhotes e a Importância do Check-up

É um erro comum pensar que somente animais mais velhos têm problemas cardíacos. Filhotes podem nascer com cardiopatias congênitas, como a persistência do ducto arterioso (PDA) ou defeitos de septo, que comprometem a saúde do coração desde os primeiros dias de vida. Os primeiros indícios podem ser detectados pelo veterinário já nas primeiras consultas (geralmente pela presença de sopro cardíaco). Sinais como desmaios, tonturas, fraqueza ou alteração respiratória em filhotes, especialmente de raças predispostas como Spitz Alemão e Maltês, devem ser investigados imediatamente.

Meu Pet é Cardiopata, e Agora?

Se seu animal for diagnosticado com uma doença cardíaca, o veterinário irá indicar um tratamento individualizado que pode incluir o uso de medicamentos, ajuste na dieta e adaptação na rotina. Uma alimentação rica em nutrientes como taurina e carnitina pode ser recomendada para ajudar no funcionamento do músculo cardíaco.

É crucial evitar que o pet faça muito esforço físico ou passe por estresse, pois essas situações sobrecarregam o coração. Garanta que ele esteja sempre confortável e evite longas viagens ou lugares barulhentos. A informação, o carinho e o acompanhamento constante possibilitam tratamentos mais eficazes e garantem que o pet Viva bem e por mais tempo.

Cuidar da saúde do coração do seu pet é um ato de amor. Ao participar da campanha Setembro Vermelho e compartilhar essas informações, você ajuda a salvar vidas.

Sem Tempo para Ler? Confira um resumo!

Resumo do Artigo
Tema O que você precisa saber
Setembro Vermelho
Campanha de conscientização sobre a saúde do coração dos pets, destacando que as cardiopatias iniciam-se de forma silenciosa. A prevenção e o diagnóstico precoce são a chave.
Principais Doenças
Doença mixomatosa da valva mitral, cardiomiopatia dilatada (CMD), cardiomiopatia hipertrófica felina (CMH), arritmias, insuficiência cardíaca congestiva (ICC), dirofilariose e tromboembolismo felino.
Fatores de Risco
Genética, idade (risco maior após 7 anos em cães e 10 anos em gatos), obesidade, sedentarismo, falta de higiene bucal, focinho achatado (braquicefálicos) e doenças renais/endócrinas.
Raças de cães propensas
Pequeno porte: Poodle, Pinscher, Yorkshire, Cavalier, Dachshund, Shih Tzu, Maltês (doenças valvares). Grande porte: Dobermann, Boxer, Dogue Alemão, São Bernardo, Fila Brasileiro, Golden Retriever, Pastor Alemão e Cocker Spaniel (cardiomiopatia dilatada).
Raças de gatos propensas
Maine Coon, Ragdoll e Persa têm predisposição à cardiomiopatia hipertrófica (CMH). Gatos costumam esconder os sintomas.
Sintomas de alerta
Tosse persistente, falta de ar, respiração acelerada/ofegante, desmaios, cansaço excessivo, perda de peso, ascite, gengivas/língua arroxeadas, apatia e paralisia em patas traseiras.
Prevenção
Acompanhamento veterinário regular, alimentação balanceada, controle de peso, exercícios moderados, cuidados bucais e redução do estresse.
Cuidado com filhotes
Filhotes também podem nascer com problemas no coração (doenças congênitas como PDA). Fique atento a sopros, desmaios e tonturas logo nas primeiras consultas.

 

Fontes:
Dra. Raphaela Marques Canola: Veterinária, Dra. em Cardiologia, SBCV e HVU (Uniube).
Dr. André Arruda: Veterinário cardiologista (São José do Rio Preto – SP).
Instituições e Mídias: Elanco, Ourofino, HVU, SBCV e TV TEM / g1.

Percebeu algum sintoma no seu pet ou está desconfiado? Agende uma consulta com nosso veterinário e comece a cuidar do coração do seu melhor amigo.

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